/ Entrevista

Leia a entrevista traduzida de Avril Lavigne para a edição de outubro da Billboard

Avril Lavigne finalmente está de volta e pronta para festejar – é o que anunciou hoje a Billboard em uma matéria exclusiva com a canadense para a edição de outubro da revista. Em agosto, no conforto de sua mansão, Lavigne sentou para conversar em um tom bem humorado sobre os últimos anos longe dos holofotes, quando ela até mesmo considerou parar de fazer música, relembra seus casamentos anteriores com Chad Kroeger e Deryck Whibley, a batalha contra a Lyme, suas tatuagens e ainda relembrou o início de tudo, quando cantou ao lado de Shania Twain aos 14 anos de idade. Em relação ao tão aguardado sexto álbum de estúdio, a revista apenas informa que o mesmo será lançado no início do ano que vem.

Avril também contou um pouco sobre o processo de escrita de seu mais novo single, Head Above Water, e relembra a noite em que achou que estava morrendo: “O primeiro single é Head Above Water. É muito pessoal para mim porque, é claro, eu fiquei cinco anos longe dos holofotes – três desses anos lutando contra a Lyme. Eu fui capaz de escrever enquanto estava de cama. Head Above Water é uma que eu escrevi na noite em que eu senti que estava morrendo e meio que tinha aceitado. Definitivamente eu não planejava compor naquele momento, mas como passei por algo tão pesado e tão emocional, sendo uma artista, isso meio que esbarrou em meus sentimentos, foi uma experiência louca. A música surgiu, a letra e todo o conceito. Ela é bem poderosa e eu espero que ela toque outras pessoas. Todos nós passamos por algo em níveis diferentes. Estou feliz e grata por ter feito músicas durante todo esse processo, como sempre fiz em minha vida, mas, em especial, enquanto eu lutava com a doença e por ter uma arte para me distrair de tudo que tinha a ver com ela.

Leia a entrevista traduzida pela nossa equipe na íntegra:

“A princesa filha da p*ta está na por*a do seu castelo.

A princesa é Avril Lavigne, que se nomeou em seu single número #1, Girlfriend. O castelo, uma mansão em um ilustre bairro de Los Angeles, é a única coisa que Lavigne governou desde que sua turnê chegou ao fim, em 2014.

Algumas semanas antes do lançamento de Head Above Water, seu primeiro single em quatro anos e meio, Lavigne senta sob o seu teto tanto alto quanto uma catedral de seu estúdio caseiro. É o lugar onde, longe do público, ela gravou grande parte do álbum a ser lançado no início de 2019.
As músicas animadas e a garrafa de Jack Daniel’s que me recebeu à porta, sugeriram que terminaríamos tomando uísque ou o vinho rosé, que seu assessor sugeriu que eu trouxesse (Avril Lavigne bebe rosé?). Porém Lavigne está tomando água com vitamina C, para combater alergias causadas por causa da estação. De sua poltrona, ela revela que pintou grande parte dos quadros expostos em sua sala e me mostra um diário rosa de orações que sua mãe deu de presente. Sob orações diárias no topo de cada página, há acordes de violão e listas, na caligrafia de Lavigne, de tarefas para serem feitas: terminar o álbum, escolher o single, filmar o clipe, dentista.

É tudo tão… adulto, um rótulo que Avril tem sido relutante em aceitar tanto recentemente quanto em seu último álbum Avril Lavigne de 2013, onde ela insistiu em músicas Peter Pan, como 17 e Rock N Roll que nós “ainda amamos isso” (“isso” provavelmente referindo-se à propensão de Lavigne a letras sobre dias de bebedeira). De lá para o lançamento de Head Above Water, em Setembro, nós ouvimos falar de Avril apenas algumas vezes: quando ela apareceu no Good Morning America, em 2015, para dizer que foi diagnosticada com a doença de Lyme, quando ela se divorciou do vocalista do Nickelback, Chad Kroeger, e quando Taylor Swift a levou para o palco da sua 1989 World Tour, em San Diego, para performarem juntas seu single de estreia de 13 anos atrás (naquele ano), Complicated.
Lavigne diz que em um certo momento ela pensou: “acho que chega de fazer música.” E de fato, a calma mulher de 34 anos sentada diante de mim em seu sofá de camurça não parece pronta para agitar. Quando Lavigne me diz o quão animada ela está para voltar, as palavras são ditas lentamente de forma indiferente, saindo de sua boca de boneca como quando uma criança percorre um passeio de museu. Será que a princesa filha da mãe quer mesmo a por*a da coroa? Quem, exatamente, seriam seus acólitos se ela decidisse tomar a coroa? E por que ela desapareceu quatro anos atrás?

O espírito de moleque ainda vive em Lavigne. Ela logo troca sua água pelo rosé, sobe em seu skate rosa com seu tênis Vans rosa e anda pelo corredor. O pai e a madrasta de Lavigne, visitas do Canadá, estão no quintal ao lado de um zoológico de boias de animais. Lavigne encoraja atividades ao ar livre em seu castelo, até mesmo dentro dele. Ela me diz que no final da tarde eu estarei brincando de espadas com uma garrafa de champanhe. Quando Avril está animada, seu tom de voz é de quem tenta se conter, mas com gritinhos de empolgação. Parece que ela, assim como eu, simplesmente tem voz sarcástica de vadia preguiçosa.

Um quadro com a última capa de Lavigne na Billboard está na parede. A capa tem mais de 10 anos. Apesar das novas tatuagens em seus antebraços, Lavigne continua a mesma, com um delineado estilo Courtney Love ao redor dos seus olhos azuis e seu cabelo loiro comprido. Hoje, ela acrescenta ao visual um suéter rosa folgado.

Encostada no bar da cozinha sob a placa com os dizeres “Vinho! A maneira que os ricos ficam embriagados”, Lavigne relembra uma fase no começo de sua carreira: “Caramba! Eu cantei com Shania Twain quando eu tinha 14 anos. Eu venci um concurso de rádio local com uma fita minha cantando.” Lavigne reencena a apresentação de 1999 quando subiu ao palco de Twain no Corel Center, em Ottawa, no Canadá, cantando: “What made you say that? Was it the moonlight? Was it the starlight in your eyes?”. Lavigne acrescenta um pensamento que teve naquele momento: “Por que estou cantando essa música? O que eu estou fazendo? E se eu tivesse meu próprio show?”

Quando Antônio L.A Reid assinou com Lavigne, dois anos depois, a sua gravadora, na época, impôs músicas pré-fabricadas para a adolescente: “parte do meu crescimento foi aprender a ter voz”, diz Lavigne certificando-se de que ela poderia continuar a escrever suas próprias canções, o que ela já vinha fazendo há anos. Quando eu, estupidamente, fico surpresa ao saber que Lavigne compõe no piano, ela revira os olhos: “eu posso tocar minhas próprias coisas. Bateria, violão, baixo e piano.” Não é de se admirar que ela fosse se auto-promover para homens poderosos, quando era jovem demais para ainda precisar que seu irmão mais velho, Matthew, a acompanhasse.
“Eu queria músicas mais agitadas,” Lavigne diz que contou para sua gravadora. Então ela começou a trabalhar com os compositores The Matrix e Lauren Christy, que a ajudaram a expor suas reais experiências adolescentes na música. Pegue o hit Top 10 da Billboard Hot 100 de 2002, Sk8er Boi: “Se eu vejo um cara descendo a rua com o skate, eu seco ele e fico ‘quem é?'”, lembra Lavigne ao explicar para seus colaboradores. Surgindo assim “Ele era um garoto/Ela era uma garota/Posso tornar isso mais óbvio?” Não, não podia. Foi a expressão de uma frustração juvenil com a simplicidade de uma pintura de caverna. A franqueza autêntica dos sentimentos, o fato de que Lavigne parecia alguém que andava de skate pela casa, a gravata – tudo era irresistível. Quase 7 milhões de americanos compraram o Let Go, de acordo com a Nielsen Music, e três anos depois de cantar com Twain, Lavigne esgotou o mesmo estádio com a turnê do Let Go, colocando 17 mil canadenses em bancos para serem empoderados por uma pequena garota que não se abalava por nada.

Lavigne não parecia estar fazendo uma declaração feminista de propósito. (Ela acabou andando tanto de skate que, eventualmente, tive que pedir a ela para parar pra que retomássemos a entrevista).

Seu glorioso senso de não remorso por caras e o som pop inspiraram artistas de Taylor Swift (Shake It Off) a uma ascendente nova geração de roqueiros indie como Soccer Mommy (que contou à Billboard que Lavigne é uma ‘mistura perfeita de Elliott Smith com Evanescence’), Snail Mail (‘eu queria tanto ser ela’) e Alex Lahey.

A aversão de Lavigne ao que a indústria chama de “vender sexo” também foi uma permissão para jovens mulheres fora da música. Para Jessica Williams, co-apresentadora de 2 Dope Queens da HBO e frequente intérprete de Complicated no karaokê, “Avril foi uma rajada de ar fresco; uma adolescente fodona com uma atitude de quem não dá a mínima. E, enquanto no vídeo de Complicated ela e seus amigos se comportavam muito mal no shopping, pelo menos Avril estava se divertindo. Ela me fez querer me importar menos com garotos e mais com essa diversão. ”

Quanto ao seu próprio ídolo, Lavigne ainda considera sua companheira de palco Twain, entre suas influências. “Eu amo a Shania,” ela diz. “Ela é super gostosa.”
Acontece que Lavigne não sabia do troca-troca de Twain. (Em 2008, o marido e produtor de Twain, Robert John “Mutt” Lange, teria deixado Twain para se casar com sua assistente e amiga. Então Twain se casou com o ex-marido da assistente.) É comovente como Lavigne parece triste, particularmente pela ideia de um de seus assistentes de que os casais poderiam já estar um com o outro antes da separação. “Qual é o ponto de se casar?”, Pergunta a cantora que se divorciou duas vezes. Um dos assistentes tenta consolar Lavigne dizendo que o marido da assistente é “muito mais gostoso”. Sinto-me tentada a ressaltar que Lange é talentoso: ele produziu para Twain, é claro, AC/DC e Nickelback, a banda liderada pelo ex-marido de Lavigne. “A pergunta é: quem tem o pau maior?”, diz Lavigne animada.

Ela descreve como ela acabou se casando com Kroeger. (A história, pelo menos, não envolve o pau dele.) Em 2012, seu então empresário, Larry Rudolph, a perguntou o que achava sobre trabalhar com ele. “Ele teve vários hits. Toca violão. Isso pode ser ótimo”, relembra Lavigne a sua reação inicial. “Um mês depois, eu tinha um anel de 14 quilates no meu dedo.” Em outras palavras: Lavigne não se casou com Kroeger e só depois começou a defender ele. Ela primeiro trabalhou com ele, e depois se casou. E ela ainda o defende: “A banda de Chad já vendeu mais de 50 milhões de álbuns! Eles estão esgotando arenas no mundo!” Além disso, ele trouxe uma garrafa de 3 mil dólares de vinho para a primeira sessão deles. Como Lavigne não poderia pensar, como ela se lembra, “Eu estou apaixonada”?

Depois de dois dias no estúdio, Lavigne disse a Kroeger que eles iam fazer tatuagens juntos, lendo “Vivre le moment present” – corretamente. Em seu estúdio, Lavigne mostra mais tatuagens, do cupcake com um crânio em sua cobertura (feito durante a filmagem do clipe de Hello Kitty no Japão) para a constelação de estrelas em seu quadril (revelado quando Lavigne se levanta e desce o short). Ela descobriu as estrelas só na manhã seguinte depois de fazê-las. “Eu lembro, tipo, de estar fazendo xixi”, lembra Lavigne, “e olhando para ela, ‘Que merda eu fiz? Amei!'”

Lavigne calcula que 75% de suas tatuagens foram feitas em conjunto com outras pessoas. “Você quer fazer uma?”, ela pergunta. Eu rio nervosamente, me perguntando se a Billboard vai arcar com a remoção a laser. “O estúdio é logo ali no final da rua. Vamos fazer tatuagens juntas, vadia!” A vadia aqui não bebeu rosé o suficiente para isso.

A maneira como Lavigne vê sua intuição sobrenatural, justifica essa impulsividade. “Eu me lembro de estar em Nova York com 16 anos”, diz ela, “e percebendo: ‘posso conhecer alguém e dizer que tipo de pessoa ela é.’ Quero dizer, é o que eu faço com a minha música. Eu sou muito sensível e hiper consciente.” E, portanto, quando se trata de coisas como fazer tatuagens e se casar com membros do Nickelback: “Tô dentro!”

Embora Lavigne brinque com o fato de ter se divorciado duas vezes aos 33 anos, “eu amo o amor”, ela diz. “A maneira como eu enxerguei é que me casei com meus longos mandatos.” Ela conheceu seu primeiro marido, Deryck Whibley, vocalista do Sum 41, aos 17 anos. (Suas tatuagens juntos: uma nota musical e o número 30, marcando o 30º aniversário de Whibley). Depois que o casamento terminou, Lavigne fala carinhosamente de seus ex-maridos: “Ele é um bom sujeito canadense” [Deryck]. Como ela não se arrepende disso, também não pude. “Eu vejo esses olhos”, ela diz para mim. “Isso foi, tipo, um agridoce ‘aww'”

Depois de mostrar seu cover da sua música predileta do Nickelback, How You Remind Me, Lavigne procura no YouTube pela apresentação dela com Whibley de In Too Deep do Sum 41. “Que música boa, né?”, Pergunta Lavigne. (Eu tenho que admitir, é.) Ela se junta à Avril de 23 anos em coro: “Cause I’m in too deep, and I’m trying to keep/Up above in my head, instead of going under.”

As letras de In Too Deep lembram as de Head Above Water, o primeiro single do novo álbum de Lavigne. “Deus, mantenha minha cabeça acima da água”, ela canta. “Não me deixe afogar”. A música explica por que Avril Lavigne desapareceu e como ela voltou.
Lavigne começou a se sentir mal durante sua turnê de 2014, indo de médico em médico e questionando a mesma coisa: “Estou com dor, estou cansada, não consigo sair da cama. Que merda tá acontecendo comigo?”

Só piorou quando a turnê terminou. Um amigo finalmente juntou as peças: “Cara, eu acho que você tem a Doença de Lyme”. Coincidentemente, a então esposa do produtor canadense David Foster, Yolanda Hadid, havia sido diagnosticada com a doença do carrapato. Ela participou do reality show The Real Housewifes of Beverly Hills. Um amigo sugeriu que Avril ligasse para Hadid, que passou um número de um especialista em Lyme,

Depois disso, diz Avril: “Eu estava de cama por 2 caralhos de anos”. Era como se seu corpo estivesse sem energia. Em vez de ser capaz de fazer o que ela sempre fez – precisamente o que ela queria – ela estava presa. Médicos receitaram vários antibióticos e antimaláricos num esforço para a recuperação de uma doença que não tem um protocolo padrão de tratamento. “É um inseto – uma espiroqueta (bactéria) – então você toma esses antibióticos e eles começam a matá-los”. Avril explica com seu conhecimento médico adquirido por uma terrível má sorte. “Mas é um inseto inteligente: ele muda para uma forma cística, de forma que você tem que tomar outros antibióticos ao mesmo tempo. Fiquei tanto tempo sem um diagnóstico que eu estava meio fodida”.

Nesse meio tempo, foi difícil saber o que fazer com a ausência da Avril. Reconciliar seus posts animados nas redes sociais com a entrevista às lágrimas no Good Morning America na qual ela contou que os médicos disseram que ela estava “louca” por pensar que estava doente. Esse golpe foi potencializado pelas próprias ideias conflitantes da Avril sobre o que significa coragem: Havia um jeito de chamar a atenção para a Doença de Lyme, mas não para seu próprio sofrimento? Por um lado, ela diz: “Eu estava tipo, ‘Vou ser corajosa e contar para o mundo o que está acontecendo’. E eu fiz isso porque eu estava lançando uma música para as Olimpíadas Especiais e eu queria que a música fosse bem, então fui forçada a sentar na frente de uma câmera e falar sobre isso [no GMA]. Eu não estava pronta, e eu não deveria ter feito isso. Eu estava uma bagunça.” Ao mesmo tempo, ela diz: “Eu me fiz de valente porque eu não queria que a doença fizesse parte da minha identidade. Então, no momento que me levantei, eu tirei uma foto e postei no Instagram e agi como se minha vida estivesse boa pra caralho”.

Avril parece irritada com os médicos que não descobriram como curá-la, irritada em como eu não entendi o quão erroneamente editada foi a entrevista no GMA, irritada só por estar contando a história. Ela pareceu incomodada quando disse, “Essa sou eu sendo totalmente vulnerável com você agora”, franzindo as sobrancelhas e passando os dedos pelo cabelo. Ela esclarece: “Eu não quero falar sobre isso. Eu não quero reviver. Mas é minha responsabilidade”.
Avril está incomodada porque um carrapato a picou enquanto ela estava fazendo algo como andar de jipe ou uma caminhada com amigos – ela não tem certeza de como aconteceu exatamente – e agora é o dever dela educar as pessoas sobre a doença de Lyme (que é, a propósito, uma das novas causas apoiadas adicionadas à Avril Lavigne Foundation. Uma fundação para pessoas afetadas por doenças graves e deficiências). E o mais irritante de tudo, Avril teve que considerar o que as pessoas pensam dela. Ela teve que nos contar que ela não foi deixada para trás por um mercado onde o hip-hop tirou o lugar do pop/rock tradicional. Ela não tinha se aposentado da música. Ela não estava de luto pelo seu divórcio. Ela estava incapacitada por uma infecção.

Numa noite, na cama com sua mãe e mal capaz de respirar, Avril começou a rezar. “Eu havia aceitado que estava morrendo”, ela diz, “E eu senti naquele momento que eu estava embaixo d’água e me afogando, e eu estava tentando subir para pegar ar. E literalmente, sob minha respiração, eu dizia: “Deus, me ajude a manter minha cabeça acima da água.”

Avril pegou seu celular e abriu as anotações. Ela tinha o começo de uma música, e, se não uma saída da água, pelo menos alguma luz visível acima da superfície.

Chad e Avril já haviam se separado quando ela escreveu esse verso. Mas, sabendo que ele é outro ótimo cara canadense, como afirma Avril, eles continuam próximos e ele produziu várias faixas do seu novo álbum, incluindo “Head Above Water”. A primeira vez que ela cantou a música – ou cantou qualquer coisa, depois de literalmente anos – foi no estúdio dele. Avril estava apavorada. Teria sua voz perdido a força, como seus músculos? Mas quando ela abriu a boca, estava lá. “Foi como se Deus dissesse: “Não, você vai continuar a fazer música”, diz Avril. Naquele momento, ela começou a acreditar que o seu talento era inato, sagrado e sem complicações, agora aprofundado em algo mais forte do que suas expressões de frustração anteriores.

“O lado bom disso tudo” – fazendo o seu retorno à saúde depois de anos de incapacitação, fisioterapia e remédios fortes – “é que eu realmente tive tempo de ser capaz de simplesmente estar presente, em vez de ser como uma máquina: estúdio, turnê, estúdio, turnê. Esta é a primeira pausa que eu faço desde que eu tinha 15 anos”. De uma forma pequena, a pausa de Avril foi uma bênção.

E então “Head Above Water” soa como a oração que é. E na música, a voz da Avril está grandiosa, cheia de gratidão por estar viva. Um grande refrão saindo de um pequeno corpo. É, ao mesmo tempo, surpreendente e perfeito que Avril tenha um hit nas paradas de músicas cristãs.

“Música é algo poderoso,” diz Avril, dando de ombros e arrastando seu tênis Vans chique feito de suede.

Estamos no gramado de trás, tendo investigado por meio de um vídeo no Youtube que tirar a rolha de um champanhe com um sabre é uma atividade que deve ser tentada do lado de fora da casa. “Você é tão responsável”, diz Avril, talvez lembrando que eu recusei de me juntar a ela num estúdio de tatuagem. “Eu adoro isso”. A garrafa perde a rolha em um só golpe e todos nós comemoramos. “Isso foi perfeito”, constata Avril.

Há tanto o que celebrar. Um brinde ao álbum da Avril e a turnê que virá depois, Um brinde a permitir a si mesmo a ser vulnerável. Um brinde à liberdade. Um brinde a amadurecer. Um brinde a andar de skate na sua mansão que você mereceu e estar pouco se fodendo no que as pessoas pensam.

Um brinde à princesa filha da p*ta. “Ela evoluiu para a Rainha Lavigne”, diz Avril. “Que tal?”

Confira o artigo original, em inglês, aqui e mais fotos do ensaio de Avril Lavigne para a Billboard.

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