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“Eu era um pássaro preso em uma gaiola.” Leia a nova entrevista de Avril Lavigne para o EW

Em nova entrevista para o site da Entertainment Weekly, Avril Lavigne volta a conversar sobre amadurecer, os desafios que enfrentou ao longo da produção do Head Above Water que levaram ao atraso da finalização do disco: “eu não queria fazer o mesmo pop-rock de sempre“, e até mesmo sobre a saturada teoria da conspiração envolvendo sua morte que viralizou na internet há alguns anos. Leia abaixo a entrevista traduzida e adaptada pela nossa equipe:

 

Eu sei que o seu álbum levou mais tempo do que o esperado pra sair. Qual é a história por trás desse atraso?
Na verdade, eu já estava pronta pra gravar…. Mas levamos tempo pra achar os produtores que se encaixavam direito. Eu já havia escrito todas as músicas, e a maioria dos produtores não querem trabalhar com músicas que já estão completamente escritas. Então, foi tipo: “Quem quer se aventurar comigo?” Eu tentei produzir Head Above Water com pessoas diferentes até que desse certo, porque eu me sinto muito próxima das minhas músicas e eu tinha uma visão do álbum. E a produção acaba sendo boa parte do processo. É um processo mais demorado, o que acaba sendo bem diferente de artistas que recebem as músicas prontas.

Como Head Above Water acabou sendo o carro-chefe do álbum?
Foi uma das primeiras músicas que escrevi sobre minha saúde junto com Warrior. Todo a equipe, a gravadora, minha empresária e, até eu mesma, achávamos que o single tinha que ser sobre isso, já que passei por isso. Ela é tão poderosa e emocional e muito especial para mim.

Sinto que esse álbum, em comparação aos anteriores, está mais focado nos vocais. Me fale sobre a direção que você queria seguir.
Eu queria que esse álbum fosse sobre os vocais, para que fosse possível ouvir as letras e sentir a emoção porque, às vezes, a música pode ser um pouco arrogante. Eu queria apenas cantar, então foi legal explorar sons diferentes, como em Crush e Tell Me It’s Over – elas são um pouco mais retrô e com uma pegada de jazz. Eu meio que senti que estava voltando às minhas raízes. Comecei na igreja e no teatro antes de começar a escrever minhas próprias músicas. Foi bom ter tempo para escrever para mim e  escrever sobre algo pelo que passei, porque foram alguns anos loucos!

Você disse que em certo momento pensou que iria morrer da doença de Lyme. Como você saiu desse momento?
Foi realmente horrível aquela noite, eu pensei: “não vou conseguir passar por isso.” Acho que pensei que iria morrer porque eu tinha esse sentimento esquisito de “Wow, sinto que estou em um penhasco prestes a cair e está escuro.” A partir daí eu senti como se estivesse submersa, afogando, em busca de fôlego. Foi quando eu, literalmente, disse: “Deus, me ajude a manter a cabeça acima da água.” Eu nem estava pensando em música, apenas aconteceu.

Como está sua saúde agora?
Tem altos e baixos. Faço o meu melhor para manter um estilo de vida saudável, comendo coisas saudáveis, dormindo melhor e malhando. Definitivamente tenho que me policiar. Porém, ao mesmo tempo, tenho minha vida de volta: consigo fazer músicas e vídeos. Cheguei longe!

Você acha que com esse álbum teve que convencer as pessoas de que você amadureceu?
Não sinto a necessidade de ter que convencer as pessoas de qualquer coisa. Acho que, depois do que passei, só faço música hoje porque amo e me faz feliz – faço por mim mesma. Também estou ansiosa para lançar elas porque sei que meus fãs estão esperando.

Dumb Blonde é uma das músicas mais radiofônicas do álbum. Qual a história por trás dela?
É algo pelo que eu passei quando uma pessoa me chamou de “loira burra”. Eu fiquei: “Oh, é uma boa ideia de música e nome.” Começou com um misógino me intimidando, devido minha independência. Foi realmente injusto. Se você é uma líder, ou uma mulher forte, ou alguém com opinião, você não tem que se sentir mal por isso. Homens, ou mulheres, devem aceitar e não colocar o outro pra baixo por causa de suas próprias inseguranças. A música é sobre isso.

Birdie é deslumbrante, com uma pegada no soul. Como ela surgiu?
Eu tive a ideia em minha cabeça dois anos antes de a escrever. Eu estava mal. Sempre dizia a mim mesma que eu era um pássaro preso em uma gaiola, me sentia numa prisão. Presa em um monte de merda. Foi daí que surgiu o conceito. Não necessariamente é sobre minha doença, mas sobre outras coisas da minha vida.  Amo essa música porque ela tem uma mensagem poderosa sobre se erguer, fazer algo sobre a situação em que você está, tomar o controle e sair disso. Acho que muitos vão se identificar, seja um relacionamento tóxico em que estão ou se não estão felizes com o trabalho deles.

Além de ficar saudável, o que você tem feito entre os lançamentos dos álbuns?
Tenho pintado muito. Tenho saído em encontros e passado muito tempo com minha família. Quando você passa por algo assim, você vê realmente quem são seus verdadeiros amigos. Muitos se afastaram porque eu não era mais a garota festeira. Eu precisava dos meus amigos e da minha família. Eu precisava de apoio. Então foi um abrir de olhos pra mim. Muitas lições de vida. Ganhei muita perspectiva e cheguei longe. Eu não consegui sair da cama por quase dois anos, e ainda há dias em que não consigo. Lançar músicas que significam muito para mim me anima!

Você precisou utilizar aplicativos, desde que voltou a sair em encontros?
Não foi preciso. (Risos) Não tenho problema com isso.

Havia uma teoria da conspiração alguns anos atrás que você havia morrido e sido substituída por uma “Melissa”. Com essa história viralizando por aí, como isso afetou sua personalidade?
É apenas um rumor besta da internet, fiquei espantada como quantas pessoas acreditaram! Não é estranho? É tão idiota. Eu continuo com a mesma aparência. Por um lado, todo mundo fica: “Meu Deus, você continua a mesma” e, por outro: “Meu Deus, ela está morta.”

Leia a entrevista original, em inglês, aqui.

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