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Avril Lavigne revela mais detalhes por trás das músicas do Head Above Water em nova entrevista

Em recentre entrevista para o site suíço bz Basel, Avril Lavigne conversou sobre a influência da doença de Lyme como forma de amadurecimento em sua vida, pessoal e musicalmente. A canadense também falou um pouco sobre a inspiração por trás da capa de seu novo álbum, Head Above Water, e revelou, com mais detalhes, algumas temáticas e origens por trás das novas músicas que compõe o mais novo trabalho da canadense que chega as lojas do mundo todo na próxima sexta-feira, dia 15. Leia abaixo a entrevista:

 

Bom dia, Avril. Você deve ter acordado cedo.
São um pouco mais de 10 horas da manhã, não é necessariamente muito cedo agora. Porém eu sou mais noturna, assim como muitos dos meus amigos. Inclusive, eu trabalhei nas músicas desse álbum no período da noite ou de madrugada.

O que esse álbum significa para você?
Significa muito! Para mim, ele marca o renascimento e o começo da segunda parte da minha carreira e da minha vida. Sk8er Boi foi o começo, e esse tipo de som esteve presente em minha música por quase 15 anos. Head Above Water é realmente um novo começo, em todos os sentidos. Eu passei por muita coisa. Eu cresci.

Você foi diagnosticada com a doença de Lyme. Passaram-se meses antes de você obter o seu diagnóstico e seu tratamento levou mais de dois anos. O que você aprendeu durante esse tempo?
Estou feliz e grata por estar viva e por ter tido minha música comigo, muitas vezes senti que era o que me mantinha viva. Assim que eu consegui levantar da cama, fui direto pro piano e pus meu coração nas letras.

Você compôs Head Above Water quando pensou que estava morrendo.
Sim, em uma noite em que pensei estar sufocando e afogando. Minha mãe ao meu lado na cama e ela me segurou. Foi bizarro, mas, de alguma forma, eu encontrei paz com a morte. Orei para Deus para que ele mantivesse minha cabeça acima da água. Foi a partir daí que eu quis escrever novamente, depois de tanto tempo. Foi como se eu tivesse encontrado uma fonte borbulhante.

Como você tem voltado a rotina?
Bem devagar. Em uma situação assim, você percebe o quão importante e grandes são as pequenas coisas da vida. Eu pensava: “Cara, como eu gostaria de ir na cozinha fazer um café pra mim.” Ou beber vinho em um jantar, visitar amigos, entrar em um carro e dirigir pra algum lugar. Por dois anos eu não pude fazer nada disso.

Então, de pouco em pouco, você recuperou sua rotina?
Não, teve altos e baixos – até hoje. Tenho dias bons e ruins, e aí percebo que tenho que desacelerar. Não sou mais  aquela “super mulher”, mas eu continuo lutando.

A super mulher está em, por exemplo, na música Warrior de seu álbum, a qual você canta que vai vencer a batalha e nunca desistir.
Sim, não vou me deixar vencer por isso! Quando a vida é dura e nos joga pedras e o mundo inteiro parece entrar em colapso, o melhor a se fazer é se acalmar, respirar e deixar esse momento de pânico passar. Não estou falando apenas sobre minha doença, é possível aplicar isso em qualquer desafio da vida.

Seu último sucesso foi Here’s to Never Growing Up. Você construiu uma carreira sobre ser a jovem profissional, skatista quebradora de regras. Isso acabou?
Sim, isso é bem verdade! Claro, eu ainda tenho meu lado rock n roll, ainda faço coisas infantis, como andar de skate em minha casa. No entanto os últimos anos tiveram uma grande contribuição para que eu não fosse mais uma garotinha, mas uma mulher adulta. Às vezes, coisas acontecem e nos fazem amadurecer, porém não quero levar a vida tão a sério.

De qualquer maneira, o pop-punk não está nesse álbum. Músicas como Crush e Goddess vão claramente em direção ao soul e ao jazz.
Você está certo. Fiz pop-rock por 15 anos. Tudo tem seu tempo. Eu queria, acima de tudo, que nesse álbum eu cantasse expressando minha voz e meus sentimentos.

Sua voz não foi afetada pela doença. Você canta alto e com paixão como sempre.
(Risos) Obrigada. Sim, eu realmente dei o máximo de mim nessas músicas.

Na capa do álbum você está nua, coberta apenas por um violão. Por quê?
Porque me descobri completamente nessas músicas, sem algum tipo de vergonha.

A composição é uma forma de terapia para você?
Sem dúvida. Enquanto escrevo em casa, seja no piano ou no violão, me sinto mais feliz e saudável. Quando finalmente voltei a trabalhar no estúdio, foi um marco para mim. Espero que as novas músicas encorajem outras pessoas e as ajudem em tempos difíceis.

Sobre o que fala seu atual single, Tell Me It’s Over?
Um relacionamento que chega ao fim, mesmo que você tenha encontrado o cara certo e esperto, você realmente não tem interesse em acabar com isso.

Você se casou duas vezes – Deryck Whibley do Sum 41 e depois Chad Kroeger do Nickelback. Você passou por algo assim?
Deus! Claro que sim! Você não pode deixar as coisas seguirem dessa maneira e continuar aguentando, mesmo sabendo que isso não faz nada bem. Às vezes, a química entre duas pessoas é tão intensa que é preciso fechar essa porta de uma vez.

Você já está pronta para um novo relacionamento agora? Você está saindo com alguém?
Não quero falar disso. Sou libriana, amor é sempre muito importante pra mim, mas prefiro manter minha vida amorosa privada. Talvez algum dia eu fale sobre isso, mas agora prefiro não falar.

Há uma música chamada I Fell In Love With the Devil. Quem é o diabo pelo qual você se apaixonou?
Eu nunca vou trair alguém (risos), mas foi algo agressivo e eu realmente fiquei com medo. Na época, eu ainda estava fraca, vulnerável e insegura. Então ele apareceu. Isso é o que eles chamam de relação tóxica. A única coisa boa é que não demorou muito. Saí fora o mais rápido possível. E como acontece várias vezes comigo, a partir dessa experiência surgiu uma música.

A música mais alegre e leve do álbum se chama Dumb Blonde. Qual é a mensagem por trás dela?
Cara, de fato, eu sai com um homem que, sem brincadeira, odiava mulheres. Ele me disse: “você é apenas uma loira burra.” Eu fiquei: “Obrigada, idiota, outra ideia de música.” Dumb Blonde é sobre homens que não conseguem lidar com mulheres fortes, independentes e seguras de si. Eles querem apenas acabar com você por causa de suas próprias inseguranças e complexidades. Mas o fato é: todo homem deve ser feliz quando a mulher também está. Eu não entendo isso. Eu também não quero um cara na minha vida a quem eu me sinta superior e a quem eu também tenha que mandar. De jeito nenhum! Os homens, às vezes, são um mistério para mim. Tudo o que sei é que amo as pessoas, sejam mulheres ou homens, que têm opiniões e defendem suas próprias convicções.

Você acabou com ele?
(Risos) Acho que essa música será o suficiente pra ele.

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